Desde o anúncio do Filme Mickey 17, o novo projeto de Bong Joon-ho — vencedor do Oscar por Parasita — gerou enorme expectativa.
O longa prometia unir a inventividade social e filosófica do diretor a um formato mais próximo de um blockbuster, estrelado por Robert Pattinson.
Inspirado no livro Mickey 7, de Edward Ashton, o filme apresenta uma ficção científica com humor ácido e forte crítica política, mergulhando em discussões sobre identidade, clonagem e o valor da vida humana em um sistema capitalista desumanizado.
Ficha Técnica
Gênero: Ficção científica, Comédia dramática, Aventura
Ano: 2025
Nota IMDb: 6,7/10
Onde Assistir: Prime Video / HBO Max
Duração: 137 min
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Em Mickey 17, acompanhamos Mickey Barnes, um trabalhador “descartável” enviado a um planeta congelado para cumprir missões letais em nome de uma colônia humana. A cada morte, um novo clone é criado com as memórias do anterior, em um ciclo interminável de sacrifício e submissão.
O ponto de virada ocorre quando Mickey 17 sobrevive a uma missão e retorna à base, apenas para descobrir que já existe um Mickey 18 ocupando seu lugar.
A partir daí, o filme se transforma em uma reflexão profunda sobre o que significa ser humano quando a identidade pode ser copiada e substituída.
Robert Pattinson entrega uma das atuações mais expressivas de sua carreira. Ele distingue de forma precisa as duas versões de Mickey — o 17 e o 18 —, revelando nuances emocionais e psicológicas que humanizam a história. Sua interpretação, entre a inocência e o desespero, é o coração do filme.
Mark Ruffalo, por outro lado, surge como Kenneth Marshall, o líder autoritário da missão, uma sátira clara ao populismo e ao autoritarismo modernos. O personagem carrega uma ironia política evidente, remetendo a figuras como Donald Trump e Elon Musk.
Visualmente, Mickey 17 é ambicioso. O design de produção cria um universo futurista frio e mecanizado, contrastando com o calor das questões morais abordadas.
Contudo, o CGI nem sempre acompanha a ambição estética do diretor — alguns efeitos soam artificiais, e o ritmo irregular pode afastar espectadores que esperavam algo mais dinâmico.
Ainda assim, o estilo de Bong Joon-ho permanece intacto: ele prefere usar a ficção científica como espelho social, questionando o poder, a ganância e a exploração disfarçada de progresso.
O filme é permeado por humor satírico e ironia, o que alivia o peso das críticas sociais e torna a experiência mais envolvente. O relacionamento entre Mickey e Nasha (Naomi Ackie) adiciona humanidade à narrativa, embora alguns subplots não sejam plenamente desenvolvidos.
Há momentos em que Mickey 17 parece abarcar mais temas do que consegue sustentar, resultando em certa dispersão.
Ainda assim, a obra se destaca pela coragem em desafiar as convenções do gênero. Bong Joon-ho não entrega um simples filme de ação espacial — ele oferece uma parábola moderna sobre trabalho, poder e identidade, disfarçada sob a superfície de um sci-fi distópico.
É um filme que divide opiniões: denso e provocativo para quem busca reflexão, mas talvez frustrante para quem espera apenas entretenimento.
Em síntese, Filme Mickey 17 é uma ficção científica complexa e imperfeita, mas repleta de ideias grandiosas. É um retrato do ser humano em conflito com sua própria essência e com um sistema que o transforma em produto.
Um longa que confirma Bong Joon-ho como um dos diretores mais ousados de sua geração — mesmo quando sua ambição vai além do que o formato comporta.
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Perguntas Frequentes
Qual é o significado do filme Mickey 17?
O significado do filme Mickey 17 gira em torno da identidade humana, do valor da vida e da exploração sistemática dentro de um sistema capitalista. Ao acompanhar um personagem que pode ser clonado infinitamente, o longa questiona o que torna alguém insubstituível e até onde o ser humano pode ser tratado como recurso descartável.
O filme Mickey 17 é bom?
Sim, o filme Mickey 17 é bom, especialmente para quem aprecia ficção científica com crítica social. Apesar de ter ritmo irregular e efeitos visuais inconsistentes, a obra se destaca pelo roteiro provocativo, pela direção ousada de Bong Joon-ho e pela atuação marcante de Robert Pattinson, que dá profundidade ao conflito existencial do protagonista.
O filme Mickey 17 é uma comédia?
O filme Mickey 17 não é uma comédia tradicional, mas sim uma ficção científica com elementos de comédia dramática e humor satírico. O tom irônico serve para reforçar as críticas políticas e sociais, oferecendo alívio cômico em meio à densidade filosófica e emocional da trama.
Onde assistir Mickey 17 hoje?
Atualmente, é possível assistir Mickey 17 nas plataformas Prime Video e HBO Max. O filme já está disponível para streaming e pode ser assistido por assinantes desses serviços.
Qual a lição do filme Mickey 17?
A lição do filme Mickey 17 está na reflexão sobre o valor da existência individual em um mundo que trata pessoas como peças substituíveis. A história propõe um olhar crítico sobre trabalho, poder e desumanização, mostrando que resistir à lógica do descarte é um ato de afirmação da própria humanidade.
O que acontece com Nasha no final do filme Mickey 17?
O filme não revela detalhes exatos sobre o destino final de Nasha, mas sua relação com Mickey serve como um dos elementos mais humanos e emotivos da narrativa. Ela representa o afeto, a memória e o vínculo pessoal que sobrevivem mesmo em um contexto de clonagem e repetição.
O que deixei para trás do filme?
Em Mickey 17, “o que deixei para trás” pode ser entendido como uma metáfora para a perda de identidade, história pessoal e autonomia diante de um sistema que substitui pessoas como peças. Cada nova versão de Mickey carrega memórias, mas perde algo essencial de si mesmo no processo.
O Mickey 17 critica Trump?
Sim, Mickey 17 critica Trump de forma indireta, especialmente por meio do personagem Kenneth Marshall, interpretado por Mark Ruffalo. Ele representa um líder autoritário com traços populistas e decisões arbitrárias, funcionando como uma sátira política que remete a figuras como Donald Trump e Elon Musk.