O Filme Ainda Estou Aqui é uma das produções mais poderosas e comoventes do cinema brasileiro recente.
Dirigido por Walter Salles, o longa traz uma narrativa sensível e profundamente humana sobre Eunice Paiva, esposa do ex-deputado Rubens Paiva, sequestrado e morto pela ditadura militar.
Inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme transcende o gênero biográfico para se tornar uma reflexão sobre memória, justiça e resistência em um país que ainda convive com as sombras de seu passado autoritário.
Ficha Técnica
Gênero: Drama, Biografia, Histórico
Ano: 2024
Nota IMDb: 8,1/10
Onde Assistir: Globoplay / Prime Video
Duração: 136 min
Leia a Crítica do Filme Wicked.
No centro da trama, Fernanda Torres entrega uma das atuações mais intensas de sua carreira, dando vida a uma mulher que, ao perder o marido para o regime militar, precisa reconstruir sua própria identidade enquanto luta por respostas.
Sua interpretação é contida, mas devastadora — cada olhar e gesto traduzem o peso do silêncio imposto pela repressão.
A direção de Walter Salles evita o melodrama, preferindo um tom contemplativo, quase documental, que convida o espectador à reflexão.
Essa escolha confere ao Filme Ainda Estou Aqui uma força emocional rara, capaz de transformar a dor individual em símbolo de resistência coletiva.
A reconstituição histórica do Rio de Janeiro dos anos 1970 é impecável. A fotografia de Adrian Tejido alterna entre o calor familiar e a frieza opressiva dos tempos sombrios da ditadura, criando um contraste visual que amplifica o impacto narrativo.
A trilha sonora de Warren Ellis complementa esse retrato com delicadeza, marcando o ritmo emocional da jornada de Eunice. Cada elemento técnico é utilizado com propósito, reforçando a atmosfera de tensão e esperança que permeia o filme.
Selton Mello, como Rubens Paiva, entrega uma performance equilibrada e comovente, enquanto Fernanda Montenegro, em participação breve, emociona com uma presença simbólica e silenciosa.
O elenco de apoio — que inclui Marjorie Estiano, Humberto Carrão e Maeve Jinkings — contribui para a construção de um retrato familiar autêntico, que serve como microcosmo da sociedade brasileira da época.
O Filme Ainda Estou Aqui entende que a história política também é feita das pequenas dores domésticas, das ausências e do medo diário, transformando o íntimo em universal.
Ainda que algumas críticas apontem para uma certa distância emocional da direção, é justamente essa sobriedade que torna a obra tão impactante.
Salles opta por um ritmo paciente, permitindo que o silêncio fale tanto quanto as palavras. Ele compreende que há histórias que não precisam ser gritadas para ecoar.
Assim, a narrativa se constrói como um espelho da própria Eunice: serena na superfície, mas movida por uma força interna inabalável.
O Filme Ainda Estou Aqui não é apenas sobre o passado — é sobre o presente e o futuro de um país que ainda busca reconciliar-se com sua história.
É um lembrete de que a memória é também uma forma de resistência e que o amor, mesmo diante da barbárie, permanece como o mais poderoso dos atos políticos.
Walter Salles entrega uma obra madura, comovente e necessária, reafirmando o poder do cinema em manter vivas as vozes que tentaram calar.
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Perguntas Frequentes
Qual a mensagem do filme “Ainda Estou Aqui”?
A mensagem do filme “Ainda Estou Aqui” gira em torno da memória, resistência e justiça. A obra retrata a força de Eunice Paiva ao enfrentar o silêncio imposto pela ditadura militar, mostrando que preservar a lembrança dos que foram calados é um ato político essencial. O longa destaca que o amor e a verdade podem resistir ao tempo e à opressão.
O que a crítica fala sobre “ainda estou aqui”?
A crítica sobre “Ainda Estou Aqui” é majoritariamente positiva, elogiando a direção sensível de Walter Salles e a atuação contida, porém intensa, de Fernanda Torres. O filme é reconhecido por seu tom contemplativo e pela forma como transforma uma dor pessoal em um símbolo coletivo de resistência, sem recorrer a exageros dramáticos.
O que a crítica internacional fala sobre “ainda estou aqui”?
A crítica internacional sobre “Ainda Estou Aqui” reconheceu o filme como uma obra sóbria e impactante. Veículos especializados destacaram a abordagem delicada de Walter Salles, a força da narrativa e o valor histórico do longa. Publicações como Variety e The Hollywood Reporter elogiaram a atuação de Fernanda Torres e a profundidade emocional do roteiro.
Qual a interpretação do filme “Ainda Estou Aqui”?
A interpretação do filme “Ainda Estou Aqui” remete à luta silenciosa de Eunice como uma metáfora da resistência civil. Sua trajetória, marcada pela dor e pela busca por respostas, simboliza o enfrentamento de um país com seu passado autoritário. O silêncio, a ausência e a espera tornam-se expressões poderosas da memória e da dignidade.
Qual o desfecho de “Ainda Estou Aqui”?
O desfecho de “Ainda Estou Aqui” é marcado por uma conclusão emocionalmente contida, mas poderosa. A narrativa fecha com a reafirmação da importância da memória e da justiça, sem oferecer soluções fáceis. A jornada de Eunice permanece como um testemunho silencioso, reforçando que algumas feridas históricas ainda estão abertas.
O que deixei para trás do filme?
Em “Ainda Estou Aqui”, o que se “deixa para trás” é a vida anterior à tragédia: uma rotina familiar interrompida pela repressão. O filme mostra como Eunice é forçada a abrir mão de seu passado ao mesmo tempo em que se recusa a esquecer. A expressão simboliza a perda da inocência e a transformação pessoal diante do trauma político.
Qual a história real do filme “Ainda Estou Aqui”?
A história real do filme “Ainda Estou Aqui” é baseada na vida de Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, sequestrado e morto pela ditadura militar. A obra acompanha sua busca por respostas e justiça em meio à repressão. Inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme transforma o drama pessoal em um registro histórico impactante.
Quais são os principais temas abordados em “Ainda Estou Aqui”?
Os principais temas de “Ainda Estou Aqui” incluem memória histórica, ditadura militar, resistência civil e luto. O longa aborda a dor de uma perda irreparável, a luta por justiça e o papel da mulher na reconstrução da verdade, destacando como o íntimo pode refletir questões políticas e sociais profundas.
O que os americanos acharam de “ainda estou aqui”?
Os americanos que assistiram a “Ainda Estou Aqui” destacaram o filme como uma aula de história e empatia. A recepção foi positiva em festivais internacionais, com elogios à forma como o longa retrata o impacto humano da ditadura. A crítica ressaltou a universalidade do tema, aproximando o drama brasileiro de lutas por memória e justiça em outras partes do mundo.